A Economist desta semana afirma que está ficando claro o que funciona e não funciona em relação à comercialização de vídeos online (Hulu who?; 05/02/09). O modelo de negócios que parece prevalecer é o utilizado pelo site Hulu (disponível apenas nos Estados Unidos): streaming de conteúdo comercial diretamente no browser, obtendo receita através de propagandas inseridas nos vídeos.
O modelo parece estar dando certo, sendo que o site tem mais de 100 anunciantes, incluindo McDonald’s, Bank of America e Best Buy. Jason Killar, CEO da Hulu, afirmou que 210 milhões de vídeos foram assistidos em dezembro, provenientes de mais de 110 parceiros. Entre esses, inclui-se a Comedy Central, PBS, Bravo, FX, SciFi, E! e Disney Channel.
De acordo com o estudo “Prime Time is Anytime” da Solutions Research Group Consultants, americanos estão cada vez mais propensos a assistirem a vídeos online, tendo metade da amostra respondido, em 2008, já ter assistido a conteúdo online, enquanto a estimativa valia 25% em 2006. A Hulu conseguiu aumentar sua percepção entre esses consumidores para 24%, mesmo em competição com demais serviços de conteúdo comercial como Joost e TV.com. A base do sucesso parece estar na simplicidade do serviço, sem exigir download de programas específicos para assistir ao conteúdo ou que o usuário pague para assistir.
A cultura on demand de saciar a vontade do consumidor a qualquer hora que ela surja é o cerne das transações online de conteúdo de entretenimento, seja ele legal ou ilegal. Apesar de ser um mercado relativamente novo, há perspectivas de crescimento. Netflix, a principal empresa (autorizada) ofertante de filmes para o consumidor final americano, informou que 1 milhão de usuários se conectaram nestes últimos 3 meses para assistir a seus filmes pagos via streaming utilizando o Xbox 360.
Naturalmente, os números que essas empresas atingiram estão ainda um pouco aquém do que a pirataria tem apresentado. Apenas para citar um dos sites com maior crescimento nos últimos tempos, o portal de torrents Mininova.org acabou de atingir a marca de 1 milhão de torrents, sendo 287 mil de filmes e 229 mil relacionados a música, com 734 milhões de visitas apenas em janeiro (um filme popular chega a ser baixado por centenas de milhares de pessoas).
Se a pirataria serve de alguma indicação para a magnitude do mercado potencial em que empresas como Hulu e Netflix podem investir, aliado à propensão crescente de consumidores optarem por conteúdo fácil, acessível e direcionado (ou customizado) na internet, basta bom senso e modelos de negócios inteligentes e realistas para impulsionar o crescimento desse tipo de serviço em pouco tempo.